segunda-feira, 30 de junho de 2008

Apagava o quinto cigarro no cinzeiro enquanto observava-o dormindo. "Filho da puta", pensou e ascendeu mais um:

- Nem para isso ele serve. Paguei essa merda de motel para bosta nenhuma. Diacho. - Reclamava baixo.

Vestida como veio ao mundo, era visível a raiva estampada na face morena. Por debaixo das franjas grossas, negras, poderia estar descrita toda a aversão que sentia por aquele rapaz ali, dormindo, com todo o pudor a mostra. Morto.

- Morto? - sussurrou. Apagou mais um cigarro, levantou-se, contemplou seu corpo mulato, com curvas de deixar qualquer homem tonto. Menos aquele. Com um riso safado no canto da boca, dirigiu-se até ele e, passando a perna por cima dele, sentou com o seu sexo, ainda quente de desejo, tesão e vontades, em cima do dele, morto, minúsculo, inútil.

Antes de qualquer ato, levantou a cabeça e olhou para cima. O espelho do teto refletia a cena que tinha tudo para ser erótica e de um ato prazeroso, intenso...

"Definitivamente, não o amo mais. Nem para me comer esse inútil serve" - pensou, pegando um dos travesseiros jogados à sua volta. Apertou a cabeça dele contra o colchão e o sentiu debater-se, agonizar. Os gritos abafados misturavam-se com os gemidos vindos da televisão. Ainda pressionando o travesseiro contra ele, cavalgou deliciosamente naquele sexo morto e sentiu seu gozo quente escorrendo pelas pernas no instante em que ele deu seu último suspiro.

Fez-se silêncio.