terça-feira, 1 de julho de 2008

Sentia-se suja. Imunda. Refletia no espelho a sua pele branca, seus olhos borrados. As lágrimas desciam pretas até metade do rosto. O coração palpitava acelerado dentro do peito e ela sentia um medo descomunal de tudo, da vida.

Insaciáveis, as lágrimas iam lavando a alma e borrando tudo à volta. Estas chegavam ao queixo, geladas. Fazia frio. Renata secou-as com o dorso da mão e, por vez, enxugava a mão no alaranjado pijama...

Com os pulsos para cima, Renata observava a cicatriz, paralela ao pulso, vermelhas. Ainda doíam. Afinal, não tinha tanto tempo que estava em casa.

Arregalada, olhava o quarto recém novo. Estava em sua casa, mas tudo era estranho demais... No canto esquerdo, logo acima da porta, estava ela: quieta, piscando um único ponto de luz vermelha, apontando para Renata...

Renata enraiveceu por estar sendo vigiada. Desejou morte àqueles que a queriam bem e sentiu aversão a si mesma, pelo sangue que, não o dela, corria na veia:

- Por ele estou viva. Nesse mundo que não é mais meu.