sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Subi no ônibus, madrugava. Uma noite sem lua, dessas de muitas nuvens. O sacolejar me enjoava e ansiei dormir, para não vomitar. O sono não tardou a vir, cheio de sonhos-pesadelos da qual eu não desejaria sonhar...

Bruno me aparecia constantemente, sorrindo com perfeição ao me ver, envolvendo meu nome numa carícia quente. Falho. Flávio me vinha com mais frequência, ouvia apenas o ser arfar quente nas minhas costas de puta, num fim de dia dolorido, suplicante. Eu não me arrependera e essa falta de culpa me assustava. Aliviada, pensei não ser problema. Ninguém naquela cidade pequena seria capaz de me unir ao ataque cardíaco dele. Ninguém... a não ser Flávio.

A Cidade Maravilhosa ia ganhando formas a medida que o sol ia nascendo. Maravilhei-me com a beleza daquele lugar e, à primeira vista, vi que me daria bem ali. Aquele lugar, me pertencia.

Sai da rodoviária a procura de um albergue qualquer. Em hotéis eu jamais conseguiria o contato que precisava. Cheguei em um Albergue numa ruela do Leblon, alugando um quartinho sem banheiro, com uma cama aos pedaços e uma escrivaninha sem cadeira. Pelo preço, não poderia esperar nada além daquilo. Sorri com o primeiro toque na porta.

— Em que posso ajudá-lo? — perguntei ao homem forte que se postava à porta.

— Olá Donzela. Sou Heitor, dono de um bar aqui perto e seleciono moças como a senhorita para trabalhar no meu aposento. Gostaria de conversar a respeito?

Sorri-lhe com malícia. Aquele era exatamente o tipo de emprego que pretendia procurar.

5 Comments:

Pâmela Marques. said...

Algumas pessoas buscam contentamento em coisas erradas.

Maria Fernanda Probst said...

Eu imaginei que o ideal de Esther indo pro Rio fosse justamente esse. De que outra forma essa daí juntaria dinheiro?

Antônio said...

Uebas! A história vai continuar! \o/

Maldito said...

E aí? Qual era a tarefa do tal emprego?

Monique said...

kd? A história nao continua?